terça-feira, 8 de dezembro de 2015

BENEFICÊNCIA PORTUGUESA DE PORTO ALEGRE,  MUSEU DA HISTÓRIA DA MEDICINA e CENTRO HISTÓRICO CULTURAL DA SANTA CASA. 

A Beneficência Portuguesa de Porto Alegre está localizada na Avenida Independência, em Porto Alegre. Em 1854, cidadãos portugueses residentes no Estado reuniram-se com intuito de fundar a Sociedade Beneficente para amparo de seus compatriotas. Na fase inicial, sem recursos suficientes, utilizavam, via contrato, o atendimento da Santa Casa de Misericórdia, mas em 1858 adquiriram uma casa para este fim na Rua da Figueira (atual Cel. Genuíno).
BENEFICÊNCIA PORTUGUESA 1909
Por doação de terreno,  e com projeto do engenheiro Frederico Heydtmann foi , foi providenciada a construção da sede atual inaugurada em 1870. Possui fachada em estilo eclético, influenciado pela arquitetura colonial portuguesa. As janelas ostentam arco redondo e no topo da fachada ostenta platibanda e frontão, escudos do Reino de Portugal e do Império do Brasil e a data de 1868.    
Corredor da instituição




MUHM - Desde 2007, junto ao casarão da Beneficência Portuguesa funciona o Museu da História da Medicina, iniciativa do SIMERS-Sindicato Médico do RS. Em nossa visita, fomos recebidos por Everton Quevedo que discorreu sobre a missão do Museu e seu relacionamento com os fazeres da instituição histórica que os abriga. 

O MHUM tem se destacado, principalmente através da doação dos associados do SIMERS,  pela construção de seu acervo de equipamentos e instrumentais como material bibliográfico que contam a história da medicina em nosso Estado.  O Sindicato nasceu em 1931 na luta pela regulamentação do exercício da profissão, obtido no ano seguinte.  
Instrumental do acervo do MUHM

      Na visita ao Centro Histórico Cultural da Santa Casa de Porto Alegre fomos recebidos pela historiadora Véra Barroso que, entusiasmada, discorreu sobre a transformação daquele espaço antes ocupado por 8 casinhas de aluguel na atual estrutura do CHSC.  Após, nos conduziu pela exposição permanente “Fragmentos da História de Todos Nós” no Museu Joaquim Francisco do Livramento onde mais de 7mil objetos e documentos contam a história da fundação e dos fazeres daquela instituição hospital. 
Ao centro, historiadora Véra Barroso


Em exposição vimos equipamentos e instrumentais, vestimentas e seu acervo arqueológico coletado em uma lixeira do hospital encontrada no quintal de uma das unidades, quando da remoção do conjunto de casas.    
O espaço ainda abriga salas de multiuso, biblioteca, auditório, salas de aula, cafeteria e loja. 
Roda dos Expostos no Museu Joaquim Francisco do Livramento. 

MUSEU DE PERCURSO DO NEGRO EM PORTO ALEGRE




O Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, através da instalação de obras de arte em pontos selecionados, busca visibilizar em Porto Alegre a comunidade afrobrasileira.

O projeto nasceu do entendimento de que a falta de representatividade no patrimônio cultural remetia à invisibilidade social desta parte da população. Assim, as obras de arte foram colocadas nos locais de presença e passagem dos ancestrais da atual comunidade negra na cidade de Porto Alegre, como a Praça Brigadeiro Sampaio (local onde os negros sentenciados e condenados à morte eram enforcados: o Largo  da Forca, lugar escolhido para a construção do "Tambor", o primeiro  marco escultural do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre),  o Mercado Público de Porto Alegre cuja importância se explica por acreditarem que ao centro do edifício está assentado o Orixá Bará, que, dentro do panteão africano, é a entidade que abre os caminhos, o guardião das casas e cidades e representa o trabalho e a fartura, para os adeptos das religiões de matriz africana. e a Praça da Alfândega (uma das vias de chegada e fuga, local da antiga Praça da Quitanda onde vendiam quitutes, rendas e bordados). Outros locais vivenciados pelos negros foram a Esquina do Zaire (Av. Borges de Medeiros com Rua da Praia), a Igreja da Nossa Senhora do Rosário, o Mercado Público e a Santa Casa de Misericórdia, a Colônia África e o Areal da Baronesa.
No projeto “Territórios Negros: Afro-brasileiros em Porto Alegre”, da Secretaria Municipal da Educação, um ônibus da Cia. Carris percorre oito pontos da cidade que evocam a presença, a memória, o protagonismo dos africanos e descendentes na cidade de Porto Alegre.
 
1. Praça Brigadeiro Sampaio,  
Tambor, primeiro marco escultural do Museu do Percurso do Negro em POA 
2. Igreja Nossa Senhora das Dores: local de supliciamento dos africanos e seus descendentes escravizados no Pelourinho, em frente a igreja que localiza-se na Andradas, 597.  Uma planta da cidade de 1839 ainda o assinala neste local, mas dali em diante ele não é mais citado nas fontes históricas.  
Igreja das Dores


3. Mercado Público
Bará do Mercado

4. Parque Farroupilha Antes da Lei Áurea, muitos senhores libertaram escravos, que frequentavam o parque. Por conta da redenção dos negros, o espaço passou a ser chamado Campos de Redenção, em 1884.
5. Colônia Africana, nos bairros Bom Fim e Rio Branco onde se localizaram algumas das primeiras moradias de ex-escravos.
6. Ilhota, nas imediações do Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues, na Erico Verissimo, ficava uma área alagadiça que se tornou um bairro de ex-escravos após a abolição. Nos anos 1930, abrigava jogos da Liga dos Canelas Pretas, que revelou talentos negros do futebol.

7. Areal da Baronesa, a Travessa Luiz Guaragna abrigava a chácara da baronesa do Gravataí. Com a morte da baronesa e a abolição da escravatura, os escravos alforriados passaram a ocupar o espaço, reconhecido atualmente como território quilombola urbano.
8. Largo Zumbi dos Palmares Abrigava reuniões e rodas de capoeira de movimentos de resistência de afrodescendentes nos anos 1970. No século 19, o espaço era coberto por denso matagal, servindo como esconderijo para escravos fugidos.


REFERENCIAS:
Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: EdiUFRGS, 2006.
http://memorialdomercado.blogspot.com.br/

domingo, 6 de dezembro de 2015

Museu Julio de Castilhos



O Museu Julio de Castilhos nasceu no início do século XX como Museu do Estado por decreto do, à época, presidente do Estado, Antonio Augusto Borges de Medeiros. Sua criação permitiu abrigar as coleções de minerais extraídas do solo gaúcho e expostas ao público na Exposição Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul que se realizou em 1901, no Campo da Redenção (SILVA, 2012).  Ligado à estrutura administrativa da Secretaria de Obras do Estado, surgiu vocacionado para as ciências naturais, eis que se compunha originalmente de seções de zoologia, botânica, mineralogia, antropologia, paleontologia, geologia. Apenas uma das seções se dedicava aos documentos históricos e artes.
Seguida à morte de Julio Prates de Castilhos, o governo estadual adquiriu dos herdeiros a residência da família na Rua Duque de Caxias, 1231 e para lá transferiu o museu em 1905. Imediato à transferência e em épocas posteriores, a Direção do Museu manifesta-se acerca do pequeno espaço disponível para exposições do acervo, falta de luz nos cômodos, presença de colônia de algas verdes (‘limo’), próprio de locais úmidos e com pouca ou nenhuma incidência de luz solar, coleção d’água nos porões, terreno de formato irregular e edificação situada entre prédios vizinhos de maior porte-o que impedia sua expansão. Nos anos 50, com a criação do Arquivo Histórico, Museu de Ciências Naturais (atual Fundação Zoobotânica) e Museu de Artes do RS, parte do acervo foi realocado, mantendo-se apenas a guarda e exposição do acervo histórico regional no Museu Julio de Castilhos. Nos anos 70 manteve-se fechado por um longo período para reformas na edificação e, reaberto, proporcionou a nós, estudantes do ensino primário de Porto Alegre, emocionantes e barulhentas visitas em grupos, repletas de histórias mirabolantes sobre fantasmas e gigantes!   Em 1996, a casa ao lado, de número 1205, construída nos anos 20, foi agregada ao prédio original do Museu permitindo um maior espaço para exposições, atividades administrativas, sanitários e construção da reserva técnica II. Informa o Museu em seu site que hoje conta com mais de 11 mil objetos que se dividem em 29 coleções: iconografia (pinturas, gravuras e fotos), indumentária, armaria, etnografia, escravistas, documentos, máquinas, utensílios domésticos e pessoais, dentre outros.  
www.museujuliodecastilhos.blogspot
O prédio localiza-se no Centro Histórico, na parte elevada da cidade, na Rua Duque de Caxias, onde não é comum colecionar água na via após por chuvas intensas. Ocorre, entretanto, que a edificação apóia-se em terreno fortemente inclinado que, finalizando na Rua Cel. Fernando Machado, apresenta-se próprio para formação de extensas correntes d´água em épocas de chuvas. Avizinha-se ao Lago Guaíba através de terrenos que foram obtidos por aterramento da orla do mesmo a partir da Rua Washington Luis.  Apesar de sua fachada ter boa orientação solar, os elementos edificados em seu entorno retiram-lhe as condições de insolação e ventilação necessárias. Por se tratar de uma via de grande circulação de porto-alegrenses e automóveis e vital para acessos aos bairros Independência, Moinhos de Vento e região norte da cidade, que frequentemente apresenta engarrafamentos no trânsito, torna o Museu e seus usuários vítimas também das poluições sonora e ambiental.     
    

Na visita, observamos várias situações que negligenciam a conservação preventiva que garantiria sobrevida às coleções na instituição museológica, como na sala de exposições temporárias onde chama atenção a presença de fungos (‘mofo’) acima da janela e abaixo do forro do telhado. Neste caso, os danos não se limitam aos objetos ali expostos, mas também à saúde dos circulantes: visitantes, funcionários, prestadores de serviço; presença d’água e umidade se repete nas salas da Revolução Farroupilha (piso), Sala Júlio de Castilhos (fungos nas paredes), exposição de carruagem; presença de algas (‘limo’),  fungos (‘mofo’) e  coleção de poeira no mobiliário e aracnídeos com suas teias!... Em relação ao material em exposição, percebem-se cuidados quanto à integridade do acervo mantendo em expositores fechados muitas das peças de constituição frágil. Nota-se a realização de pesquisa para efetiva comunicação ao público.

Infiltrações d'água na
Sala de Exposições

Na Sala Júlio de Castilhos está em exposição a máscara mortuária do líder político confeccionada há mais de 110 anos e envolta em redoma transparente rígida. Informa o Museu que a mesma foi obtida com gesso (sulfato de cálcio diidratado), muito provavelmente do Tipo I-utilizado para moldagens diretas. Este material tem comportamento hidrófilo e, a julgar para aparente manutenção dimensional e ausência de fissuras nas áreas visíveis, a proteção rígida que porta tem mantido a peça em ambiente estável, quanto à umidade                       
                           
Fungos nas paredes
Na área externa do Museu estão afixados em pedestais ou apenas posicionados sobre o solo,  vários exemplares de canhões. Estão expostos à matéria particulada suspensa proveniente da poluição atmosférica que ativa as reações de óxido-redução (corrosão) inicialmente em sua superfície. Além de impossibilitar o controle da umidade relativa do ar, a exposição ao ar livre também os tornam alvos de resíduos orgânicos de pássaros (componentes ácido e bacteriano) e outros animais de menor porte.   
Canhões na área externa.
As situações relatadas certamente não ocorrem por desconhecimento, mas pelas próprias condições da edificação que habita, transformada em museu, a partir de uma residência do início do século passado. Essa desadequação, minimizada pela agregação da residência número 1205, já era registrada por seu diretor Simch em seus relatórios, tão logo ocupou o casarão da Duque de Caxias (SILVA,2012).  Embora a utilização de prédios históricos para abrigo de museus não seja rara no mundo, como Museus d’Orsay, Carnavalet, Residenz e Louvre, para adequá-los à instalação de um museu, foram aportados recursos financeiros e humanos, salvaguardando os bens culturais. Sabe-se também das dificuldades na obtenção de receita para manutenção e investimentos no Museu Julio de Castilhos que, associados a recursos humanos capacitados, permitiriam implementar as medidas  corretivas necessárias na instituição. Na busca da preservação de nossa história, entretanto, tem de se aplaudir as pequenas providências adotadas por sua administração e que desacelerarão a degradação de bens.          

REFERÊNCIAS:

FRONER, Yacy-Ara;  SOUZA, Luiz A.C. Preservação de bens patrimoniais. In: Tópicos em Conservação Preventiva. Belo Horizonte. Escola de Belas Artes. 2008.

GOOGLE MAPS. Disponível em <https://www.google.com.br/maps/place>. Acesso em 10 de outubro de 2015.

http://museujuliodecastilhos.blogspot.com.br/

IBRAM. Gestão de riscos ao patrimônio musealizado brasileiro. Rio de Janeiro. 2013.

LEAL, Elisabete da Costa. Filósofos em Tintas e Bronze: arte, positivismo e política
na obra de Décio Villares e Eduardo de Sá. Rio de Janeiro, 2006. 298 f.: il.
NEDEL, Letícia Borges. Breviário de um museu mutante. Universidade de Brasília – Brasil. In: Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 11, n. 23, p. 87-112, jan/jun 2005

SILVA, Ana C.F. O museu e a consagração da memória de Julio de Castilhos (1903-1925). Trabalho de conclusão de curso (graduação em Museologia) Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

Fotos atuais: da autora do blog.  


   


sábado, 5 de dezembro de 2015

PRAÇA DA ALFÂNDEGA, MUSEU DE ARTES DO RIO GRANDE DO SUL E MEMORIAL DO RIO GRANDE DO SUL

Em 1740, Jerônimo de Ornellas recebeu a doação de sesmaria  e deu início oficial à cidade, o Porto de Dorneles. Por aqui aportaram, logo depois, casais portugueses oriundos das Ilhas dos Açores. Seu destino era a região das Missões, mas como estava em litígio, ficaram na cidade e, em louvor de seu santo de devoção, foi construída a Capela de São Francisco das Chagas, na atual Rua dos Andradas. De Porto de São Francisco dos Casais, passou a ser denominada Porto dos Casais. Naquela região, formada pela margem fluvial e atuais Ruas General Câmara, Caldas Junior e Andradas, exercia-se atividade comercial de pequena monta em quitandas e tabuleiros, o que determinou a denominação do espaço como Largo da Quitanda. 
Praça da Alfândega-dias atuais

A cidade distinguida em seus fazeres e topografia dividia-se em uma parte baixa, perto do rio onde se exercia a atividade comercial e a parte alta onde estavam construídas as residências da elite local, teatro, palácio governamental...    

Cais - foto 1900
Em 1803, a Alfândega inicia suas atividades e logo depois é construído um trapiche para maior conforto no recebimento e remessa de mercadorias, futuros moradores livres (como portugueses) e escravos. Em 1806, foi construído um trapiche que no ano seguinte recebeu dois guindastes. Com os aterros e a construção de um novo porto, no início do século XX, já sem atividade, o trapiche foi destruído.
Em 1819, em frente ao antigo trapiche, mas dele separado pela atual Rua Sete de Setembro, teve início a construção do prédio da Alfândega. Com esta edificação, os comerciantes foram compulsoriamente transferidos para o Largo Paraíso (atual Praça Quinze de Novembro). Como houve resistência, foi acordada a permanência dos mesmos no lado oeste da praça.  O prédio foi concluído em 1824.
Em 1848, inicia-se o calçamento de algumas vias como a Rua da Praia, da Bragança (Marechal Floriano) e Praça Paraíso. Em 1866 iniciou-se a arborização da praça que recebeu um chafariz e em 1893, seu nome foi alterado oficialmente para Praça Senador Florêncio.
Em 1912, com a europização das cidades, foi demolido o prédio da Alfândega de 1819, aterrado mais de cem metros de largura do Guaíba e providenciadas as construções do prédio  atual da Delegacia Fiscal (hoje ocupado pelo MARGS) e dos Correios e Telégrafos (hoje Memorial do Rio Grande do Sul).   A região recebeu árvores como palmeiras-da-Califórnia e jacarandás. Na Rua da Praia surgem os cafés, cinemas e redações de jornais.
No período 1913-1914 foi construído o novo prédio da Delegacia Regional da Fazenda no RS, onde, desde 1978 situa-se o MARGS- Museu de Artes do RS.  O projeto arquitetônico é de autoria do arquiteto alemão aqui radicado Theodor Wiederspahn.  Em 1981 foi tombado pelo IPHAN e em 1985 pelo IPHAE.

Prédio dos Correios e Telégrafos (Memorial do RS): assim como o da Delegacia Regional da Fazenda, foi projetado por Theo Wiederspahn e segue estilo eclético com influência no barroco alemão (1910-1930). Foi construído no período 1910-1913.  Nesses prédios destacam-se o exuberante decorativismo e a filosofia positivista do Governo mostrando sua visão de progresso, ordem, higiene e civilização. É significativa a presença de estatuária, especialmente nas fachadas e o uso de concreto, aço e cimento.  Adotam os moldes de cimento e o uso de vitrais e adornos em serralheria.      



Fotos: autora blog. 


Referências:
EZEQUIEL, Marcio. Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de história. Porto Alegre, Sindireceita, 2007.

FRANCO, Sérgio da Costa. Guia histórico de Porto Alegre.  2. ed. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1992.
XAVIER, Luiz Merino. A cidade como livro didático: educação patrimonial no âmbito do Programa Monumenta Porto Alegre. In: POSSAMAI, Zita Rosane (Org.). Leituras da Cidade. Porto Alegre: Evangraf, 2010. P. 257-273
Anotações da aula de 19/ago/2015: Professores Drs. Zita Possamai e Luiz Merino Xavier.

domingo, 11 de outubro de 2015

MUSEU RODIN - Paris
O único museu nacional francês auto-financiado!
foto: da autora 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Leituras da Cidade



Leituras da Cidade

Projeto de Educação para o Patrimônio com vistas à formação de graduandos dos cursos de História e Museologia da UFRGS e educadores da rede de ensino de Porto Alegre, tendo como objeto de estudo e ação pedagógica o Centro Histórico de Porto Alegre, em especial, e a cidade como um todo. Compreende formações presenciais, edição de publicação e criação de website.
O website Leituras da Cidade reúne informações visuais e escritas concernentes à cidade de Porto Alegre para consulta dos educadores e utilização em suas práticas pedagógicas. A rede visa congregar os educadores, abrindo fóruns de discussão e troca de experiências de forma permanente sobre suas ações em sala de aula relacionadas ao Centro Histórico e à cidade de Porto Alegre. 

A proposta tem uma perspectiva multidisciplinar (arquitetura, arte, história, arqueologia, antropologia, educação, museologia), possibilitando diversas leituras da cidade, suas memórias, histórias e patrimônios.

Coordenação
Prof. Dra Zita Rosane Possamai
Departamento de Ciências da Informação/FABICO


Monumento Cívico a Julio de Castilhos


Situado em Porto Alegre, na Praça Marechal Deodoro da Fonseca,  o monumento a Julio de Castilhos encomendado em 1903 por Borges de Medeiros, três dias após a morte do líder republicano no RS, dialogava com as edificações próximas, locais de sociabilidade, religiosidade e de governo, representados pelo Teatro São Pedro, Bailante-que mais tarde foi substituída pelo Auditório Araújo Vianna, Câmara Municipal-substituído pelo prédio do Palácio da Justiça, Palácio Provincial, hoje Palácio Piratini.      
Em telegrama a Décio Villares, pintor e escultor carioca, identificado com o Positivismo de Comte, o chefe do governo gaúcho Borges de Medeiros estabeleceu a representação de Julio de Castilhos em três fases de sua vida: juventude, maturidade e velhice.  
Construído em forma de pirâmide, estampa várias figuras metálicas que contam a história e as virtudes do biografado.  
Na face oeste está representado em sua juventude entregando o periódico republicano “A Federação”(criado em 1881). No lado norte é representado na maturidade, época de sua morte, no auge do poder político. Aparece como que se erguendo da cadeira onde se acomodara e com livro na mão, mostrando um homem letrado, pronto para agir. Seu olhar busca o futuro. Na face leste, uma alegoria representa o personagem sábio e idoso. É a figura patriarcal que consulta o escrito que traz no colo. Com a cabeça apoiada no braço, assemelha-se ao Pensador de Rodin com quem Villares teve contato em Paris.  
Foram fundidas também outras alegorias que não foram citadas na correspondência de Borges de Medeiros a Villares e que representam o governo positivista: a Firmeza, figura masculina que guarda o poder com suas chaves; a Coragem, também uma figura masculina se lançando no horizonte  com louros da vitória na mão esquerda e a Prudência que, com a mão esquerda, aparta o voo da Coragem e com a mão direita aponta para o perigo representado pelo dragão. No lado sul, a presença do gaúcho a cavalo que comemora a República.
Encimando as figuras, no topo da pirâmide, aparecem as datas que remetem à instalação da República Francesa (1789) e Brasileira (1889). Este regime político é também representado por uma figura feminina que tem às mãos um archote de luz (símbolo de iluminação). Posiciona-se sobre uma esfera com os dizeres da bandeira nacional “Ordem e Progresso” sobre a representação do Castelo da Bastilha.  
Até a Revolução de 1930, eram realizadas atividades cívicas no local, na data de morte do líder político, dia 24 de outubro.          
     
Fotos: www.webpoa.com (acesso em 17-09). Coloridas: da autora do blog, obtidas durante explanação da Professora Dra. Elisabete Leal em 9/set/15.   
Dra. Elisabete Leal
Leituras realizadas:
NEDEL, Letícia Borges. Breviário de um museu mutante. Horizontes antropológicos, Porto Alegre, ano 11, n. 23, jan./jun. 2005, p.71-86.
NEDEL, Letícia Borges. Da coleção impossível ao espólio indesejado: memórias ocultas do Museu Júlio de Castilhos. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.2, n.38, dez. 2006, p.11-31.
LEAL, Elisabete da Costa. Os  filósofos  em  tintas  e  bronze: arte,  positivismo  e  política  na obra  de  Décio  Villares  e  Eduardo  de  Sá.  2006.  Tese  (Doutorado  em  História  Social). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006